Empreendimento da Prefeitura de São Paulo teve obras interrompidas após construtora entrar em recuperação judicial; 480 famílias aguardam moradia
As obras do conjunto habitacional Forte do Rio Negro, na região de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, estão paradas há mais de um ano após a construtora responsável entrar em recuperação judicial e abandonar o projeto. O empreendimento, que já recebeu R$ 104 milhões em investimentos públicos, ainda não tem previsão de conclusão.
Enquanto aguardam a entrega dos apartamentos, 480 famílias beneficiárias recebem auxílio aluguel da prefeitura, com custo anual estimado em R$ 3,4 milhões aos cofres municipais.
O condomínio está localizado na Avenida Ragueb Chohfi, próximo à Linha 15–Prata do monotrilho, e prevê a construção de 600 unidades habitacionais de até 50 metros quadrados.
O projeto integra o programa Pode Entrar, iniciativa municipal voltada à produção de moradias populares.
O contrato com a construtora Múltipla Engenharia, firmado em 2022, foi prorrogado quatro vezes até ser rescindido em junho de 2025, após a paralisação das obras.
Na ocasião, a prefeitura aplicou multa de R$ 5 milhões à empresa.
Situação atual da obra
Antes da paralisação, o empreendimento estava 92% concluído, segundo registros da própria prefeitura.
Após inspeções técnicas realizadas depois do abandono do canteiro de obras, foram identificados danos e problemas estruturais que exigirão novos investimentos.
Relatórios apontam a necessidade de pelo menos R$ 3,5 milhões em retrabalho, incluindo:
- reparo de paredes perfuradas após reforços estruturais
- substituição de azulejos e forros danificados
- recuperação de instalações elétricas
- reposição de itens furtados ou deteriorados
A fiscalização também encontrou janelas quebradas, portas danificadas, mofo em banheiros e fiação exposta.
Em diversas unidades faltavam itens como pias, tanques, torneiras e tampas de quadros elétricos.
Impacto para as famílias
A maior parte das famílias beneficiárias recebe R$ 600 mensais de auxílio aluguel, valor que moradores consideram insuficiente para custear moradia na região.
Alguns beneficiários relatam dificuldades enquanto aguardam a entrega dos apartamentos.
Uma moradora afirmou ter feito compras para passar o Natal na nova residência, após a promessa de entrega em 2024, mas os planos foram adiados por dois anos consecutivos.
Outra família, composta por seis pessoas, vive em uma casa de 48 m², enquanto aguarda a conclusão do empreendimento.
Alguns moradores afirmaram preferir não se identificar por receio de prejuízo no processo de concessão da moradia.
Promessa de entrega em 2024
Em junho de 2024, a prefeitura entregou às famílias os documentos que garantem a futura moradia no condomínio.
Na ocasião, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que a gestão trabalhava em uma “corrida contra o tempo” para entregar os apartamentos ainda naquele ano.
A previsão, no entanto, não foi cumprida.
Problemas semelhantes em outros projetos
O caso do conjunto Forte do Rio Negro não é isolado dentro da modalidade Empresas do programa Pode Entrar.
Uma auditoria do Tribunal de Contas do Município (TCM) apontou que 80% dos empreendimentos originados em chamamentos públicos de 2014 ainda não haviam sido contratados após uma década, em razão de entraves administrativos e ocupações em terrenos.
Outros projetos habitacionais também apresentam atrasos, como os conjuntos Bauru e Lajeado, na região de Guaianases, que juntos devem oferecer 968 unidades.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que equipes técnicas realizam vistorias e análises na obra para identificar eventuais correções necessárias antes da retomada dos trabalhos.
A administração municipal também afirmou que está adotando medidas para:
- cobrar a multa aplicada à construtora
- recuperar cerca de R$ 1 milhão pagos por serviços não executados
A gestão informou ainda que o programa Pode Entrar já entregou 18 mil moradias desde 2021 e possui cerca de 43 mil unidades em construção.
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