Soldado foi encontrada com tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, no Brás; investigação trata o caso como morte suspeita
A família da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, afirmou que pode apoiar um eventual pedido de exumação do corpo da soldado para esclarecer as circunstâncias de sua morte. A declaração foi feita na terça-feira (3) por meio do advogado que representa os parentes da vítima.
Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto, no bairro do Brás, região central de São Paulo.
O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas passou a ser tratado pela Polícia Civil como morte suspeita.
Possibilidade de nova perícia
De acordo com o advogado da família, José Miguel Silva, a exumação não é uma medida comum em investigações, mas pode ser considerada caso os exames periciais atuais não sejam suficientes para esclarecer a causa da morte.
Segundo ele, a família está disposta a apoiar o procedimento se a medida for solicitada oficialmente durante a investigação.
“A família não quer injustiça. Quer entender o que realmente aconteceu”, afirmou o advogado.
A eventual exumação dependeria de pedido formal da polícia e autorização da Justiça.
Investigação policial
O caso é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás), que apura todas as circunstâncias relacionadas à morte da soldado.
Até o momento, o tenente-coronel Geraldo Neto não é considerado investigado formalmente no inquérito.
Segundo o relato apresentado por ele no boletim de ocorrência, o casal discutiu momentos antes do disparo após Gisele mencionar a intenção de se separar. O oficial afirmou que estava tomando banho quando ouviu o barulho do tiro.
Ele relatou ter encontrado a esposa caída na sala, com uma arma em mãos, e acionou as autoridades.
Após o episódio, o oficial pediu afastamento das atividades na Polícia Militar.
Elementos analisados na investigação
Durante a perícia realizada no apartamento, especialistas utilizaram luminol e identificaram vestígios de sangue no box do banheiro, local onde o marido afirmou que estava antes do disparo.
O laudo necroscópico apontou que o tiro foi disparado com a arma encostada no lado direito da cabeça da vítima.
Já o exame residuográfico, utilizado para detectar resíduos de pólvora, teve resultado negativo tanto nas mãos da soldado quanto nas do tenente-coronel.
A investigação segue com novos exames periciais para tentar determinar quem efetuou o disparo.
Mensagens e relato da família
Familiares apresentaram à investigação um print de conversa que, segundo a defesa, indicaria que o tenente-coronel tinha acesso às redes sociais da esposa.
Na mensagem, ele teria utilizado o perfil da policial para questionar um primo dela sobre conversas que os dois mantinham.
De acordo com o advogado da família, o material integra um conjunto de informações que os parentes consideram relevantes para a investigação do relacionamento do casal.
Gisele e Geraldo viviam juntos desde 2024. A policial tinha uma filha de 7 anos, que também morava no apartamento, mas não estava no local no momento do disparo.
A Polícia Civil segue analisando provas e depoimentos para esclarecer as circunstâncias da morte.
HostingPRESS Agência de Notícias de São Paulo
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