Casa de Pedra, localizada no Petar, possui abertura de 197 metros e está sendo estudada por pesquisadores da USP
Uma caverna localizada no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), no município de Iporanga, no interior de São Paulo, pode entrar para o Guinness Book como a caverna com maior pórtico vertical do mundo. Segundo pesquisas conduzidas por especialistas da Universidade de São Paulo (USP), a entrada da chamada Casa de Pedra possui 197,1 metros de altura, medida obtida por meio de mapeamento tridimensional realizado com tecnologia a laser.
Embora São Paulo seja frequentemente associado a centros urbanos e grandes avenidas, o Estado abriga um dos maiores patrimônios naturais do país, segundo pesquisadores envolvidos no estudo.
A Caverna Casa de Pedra está situada dentro do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), uma unidade de conservação com mais de 35 mil hectares de Mata Atlântica preservada e mais de 400 cavernas catalogadas.
O parque se estende entre os municípios de Iporanga e Apiaí, no Vale do Ribeira, região sul do Estado de São Paulo.
De acordo com o geólogo Nicolás Misailidis Strikis, professor da Universidade de São Paulo, havia muita divergência sobre o tamanho real da entrada da caverna.
Diversos materiais divulgavam números diferentes, variando entre 190 e 230 metros, sem comprovação científica.
Para resolver essa incerteza, pesquisadores realizaram um mapeamento tridimensional detalhado, utilizando tecnologia Lidar aerotransportada, um sistema de sensoriamento remoto que faz escaneamento a laser a partir de drones.
O levantamento apontou que o desnível máximo da entrada é de 197,1 metros, considerado o maior pórtico vertical de caverna registrado até o momento em estudos científicos.
Segundo os pesquisadores, cavernas ao redor do mundo podem apresentar alturas internas maiores, mas não possuem uma abertura de entrada com dimensões equivalentes.
Comparação com outras cavernas
Entre as formações frequentemente citadas em comparações estão:
- Cueva de El Fantasma, na Venezuela
- Son Doong, no Vietnã
Apesar de apresentarem grandes dimensões internas, os pesquisadores afirmam que não existem medições científicas publicadas comparáveis à metodologia aplicada na Casa de Pedra, o que dificulta a confirmação oficial de recordes.
Por esse motivo, a Fundação Florestal órgão responsável pela gestão do Petar informou que aguarda a conclusão da pesquisa acadêmica antes de iniciar o processo formal de registro no Guinness Book.
Ainda não há previsão de data para o pedido oficial.
Área de difícil acesso
A Casa de Pedra não está aberta ao turismo.
Para chegar até a entrada da caverna é necessário percorrer uma trilha de mais de três horas, que inclui trechos dentro de um rio.
No interior da caverna existe ainda uma trilha aproximada de 3 quilômetros, com passagens escorregadias, subidas, descidas e pontos onde a água pode atingir níveis elevados.
Desde 2003, o acesso ao interior da caverna está interditado após um acidente causado por tromba d’água, que resultou na morte de um guia e de um visitante.
Atualmente, apenas pesquisadores autorizados e equipes da Defesa Civil podem entrar na caverna.
Estudos sobre risco de enchentes
O estudo conduzido pela geóloga Vanessa Faria Borher, em projeto de mestrado, busca compreender o comportamento hidrológico da caverna.
Entre os fatores analisados estão:
- velocidade de subida da água
- volume de chuva acumulada
- tempo de resposta do rio interno
Durante as medições, pesquisadores registraram eventos de chuva capazes de elevar o nível da água em mais de dois metros em pouco tempo.
Segundo os cientistas, essa característica torna o ambiente potencialmente perigoso para visitantes, já que chuvas em áreas distantes podem provocar aumento rápido do nível da água dentro da caverna.
Possível reabertura controlada
A Fundação Florestal estuda criar um Sistema de Gestão de Segurança (SGS) para permitir visitas monitoradas no futuro.
A proposta em discussão prevê:
- abertura apenas em períodos sem chuva
- visitas controladas
- acompanhamento por monitores ambientais credenciados
Segundo o órgão, uma proposta inicial de reabertura segura pode ser apresentada em cerca de seis meses, após a consolidação dos estudos científicos.
Visitação no Petar
Apesar da restrição à Casa de Pedra, outras áreas do Petar permanecem abertas ao público.
A visitação ao parque tem ingresso de R$ 19, além da contratação obrigatória de um guia para atividades em cavernas.
Os profissionais, chamados de monitores ambientais, são capacitados pela Fundação Florestal e pela comunidade local.
A média do serviço de acompanhamento é de aproximadamente R$ 150 por pessoa.
Informações detalhadas sobre trilhas, cavernas abertas e agendamento podem ser consultadas no site oficial do parque:
🔗 https://www.petaronline.com.br
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