A bancada oposicionista no Congresso Nacional anunciou nesta quarta-feira o alcance de 282 assinaturas em requerimento para instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a investigar as fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, superando em mais de 80 o mínimo constitucional exigido para o protocolo oficial. O marco foi divulgado pelo deputado federal Carlos Jordy, autor do pedido e vice-líder do PL na Câmara, que classificou o número como recorde histórico, ultrapassando até mesmo a CPMI dos Correios de 2005, que reuniu 223 adesões.
O requerimento, protocolado formalmente junto à Mesa do Congresso, conta com o apoio de 236 deputados federais e 46 senadores, distribuídos entre partidos como PL, Republicanos, PP e Novo, embora haja adesões pontuais de legendas do Centrão. Para avançar, o documento depende agora da leitura em sessão conjunta pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, o que pode ocorrer já na primeira semana de retorno dos trabalhos legislativos, prevista para o início de fevereiro. Uma vez lido, a CPMI seria formada por 30 parlamentares, com prazo inicial de 180 dias para investigações, prorrogável por igual período.
O escândalo do Banco Master explodiu em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial por insolvência irrecuperável e graves infrações ao sistema financeiro. Sob controle do banqueiro Daniel Vorcaro, preso temporariamente na Operação Compliance Zero da Polícia Federal e liberado sob medidas cautelares como tornozeleira eletrônica, a instituição é acusada de emitir e negociar títulos de crédito falsos em volume estimado em R$ 12,2 bilhões. As investigações apontam para um esquema sofisticado de fraudes no mercado de capitais, com possível lavagem de dinheiro e conexões com empréstimos consignados fraudulentos a aposentados do INSS.
A CPMI pretende aprofundar esses pontos, com foco especial em supostas ligações político-institucionais, incluindo contratos firmados pelo banco com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e tentativas frustradas de venda do Master ao Banco de Brasília. Parlamentares oposicionistas alegam que o caso revela riscos ao patrimônio público e impactos econômicos amplos, demandando transparência sobre eventuais omissões regulatórias do Banco Central e do Judiciário. Já a CPMI do INSS, em curso desde o ano passado, aprovou convocações de Vorcaro e quebras de sigilo, revelando que o Master firmou 338,6 mil contratos consignados irregulares entre 2021 e 2025, dos quais 74,3% nunca foram apresentados à autarquia.
Carlos Jordy enfatizou a urgência da investigação em pronunciamento nas redes sociais, afirmando que a comissão é inadiável para apurar não apenas as fraudes financeiras, mas também possíveis conluios que teriam permitido a perpetuação do esquema. “Essa CPMI vai trazer à luz as conexões que o governo e seus aliados tentam esconder. Temos assinaturas além do necessário para evitar manobras de obstrução”, declarou o deputado, prevendo resistência do Palácio do Planalto e aliados no Congresso.
Líderes governistas, por sua vez, minimizaram o movimento, argumentando que as apurações policiais e judiciais já estão em andamento sob sigilo no STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli. O deputado federal André Fernandes, do PL-CE, um dos articuladores, rebateu, dizendo que a CPMI complementa as ações do Judiciário ao exercer o poder fiscalizador do Legislativo sobre questões de interesse nacional.
Analistas políticos observam que o recorde de assinaturas reflete o desgaste acumulado pelo caso, que ganhou tração após denúncias de advogados como Eli Cohen, pioneiro na exposição das fraudes consignadas. A possível instalação da CPMI coincide com o calendário eleitoral de 2026, podendo servir como palanque para a oposição criticar a gestão econômica do governo Lula e eventuais influências no sistema financeiro.
Enquanto o requerimento aguarda despacho de Alcolumbre, parlamentares da oposição intensificam mobilizações para pressionar pela pauta prioritária, alertando que qualquer demora equivaleria a acobertamento. O episódio reforça o papel das CPIs como instrumento de accountability em um Congresso polarizado, onde temas como corrupção e regulação bancária mobilizam bases ideológicas opostas.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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