Satya Nadella, diretor executivo da Microsoft, alertou que o custo da energia elétrica emergirá como o elemento decisivo na disputa global pela supremacia em inteligência artificial, moldando o crescimento econômico de nações inteiras. Durante painel no Fórum Econômico Mundial de 2026, em Davos, Suíça, no dia 20 de janeiro, ele vinculou diretamente o Produto Interno Bruto de um país ao preço acessível da eletricidade consumida por data centers vorazes de processamento. A declaração sublinha como data centers, famintos por gigawatts, transformam a infraestrutura energética em vantagem competitiva estratégica.
Gargalos energéticos na expansão da IA
Nadella enfatizou que, apesar de investimentos bilionários em chips e servidores, a energia revela-se o verdadeiro gargalo: data centers projetam triplicar o consumo nos Estados Unidos até 2035, demandando 640 terawatts-hora anuais. A Microsoft planeja desembolsar 80 bilhões de dólares em 2026 para novas instalações, metade fora dos EUA, mas avisa que sem eletricidade barata e confiável, modelos de IA avançados param paralisados. Países com matrizes renováveis baratas ou nuclear eficiente, como Canadá ou França, ganham terreno, enquanto nações dependentes de fósseis enfrentam desvantagens.
“Permissão social” para o consumo massivo
O executivo advertiu para a perda de “permissão social” se a IA não justificar o esbanjamento energético: “Rápido perderemos o aval para usar energia escassa em tokens que não melhorem saúde, educação ou eficiência setorial”. Em conversa com Larry Fink, da BlackRock, Nadella defendeu utilidade prática da tecnologia para reconquistar apoio público, evitando bolhas especulativas. Projetos controversos, como o data center em Michigan, ilustram tensões locais com contas de luz infladas.
Estratégias da Microsoft para eficiência energética
A companhia adota medidas proativas, como o plano “Community-First AI Infrastructure”, que propõe tarifas mais altas para si mesma, compartilhamento de projeções com concessionárias e uso de IA para otimizar resfriamento de servidores. Nadella aposta em nuclear modular e hidrelétricas para suprimento constante, alinhando sustentabilidade a metas de carbono zero. Globalmente, incentiva políticas que atraiam capital para infraestruturas, especialmente no Sul Global, onde desigualdades limitam adoção.
Implicações geopolíticas e econômicas
O custo energético redefine hierarquias: nações com eletricidade barata captam investimentos trilionários em data centers, projetados em 3 trilhões de dólares até 2029. EUA e China disputam liderança, com a primeira pressionada por redes envelhecidas e oposição regulatória. No Brasil, iniciativas como ReData atraem hiperescaladores, mas gargalos em água e rede elétrica desafiam ambições. Analistas preveem que vencedores da “corrida da IA” serão aqueles que equilibram inovação com acesso energético equânime.
Perspectivas e apelos por redistribuição
Nadella apelou por redistribuição de ganhos da IA, via melhorias em setores públicos e competitividade privada, para sustentar o ciclo virtuoso. Sem isso, risco de backlash público e regulatório ameaça o boom tecnológico. A Microsoft, com GPUs ociosas por falta de potência, exemplifica urgência: “Não faltam chips, falta energia”. Em Davos, o alerta ressoa como manifesto pragmático, ancorando euforia da IA na realidade física da eletricidade. Países e empresas que dominarem esse equilíbrio ditarão o futuro cognitivo global.
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