O sarampo, doença altamente contagiosa que o mundo acreditava controlada, ressurge com força nas Américas, disparando casos e mobilizando autoridades de saúde globais. Em 2025, a região registrou mais de 12 mil confirmações, um aumento de 30 a 34 vezes em relação ao ano anterior, com o Brasil enfrentando importações que ameaçam sua certificação de eliminação. Organizações como a OPAS e a OMS emitem alertas urgentes, cobrando vacinação em massa para evitar uma pandemia regional.
Contexto epidemiológico regional
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) relata que, até novembro de 2025, dez países das Américas notificaram surtos ativos, totalizando 12.596 casos confirmados e 28 mortes, concentrados em Canadá (milhares de infecções), México (mais de 3 mil) e Estados Unidos (1.356). A região perdeu o status de eliminação do sarampo, alcançado em 2016, devido a coberturas vacinais abaixo dos 95% recomendados: a primeira dose da tríplice viral (SCR1) atingiu 89%, enquanto a segunda dose ficou em 79%. Países como Bolívia, com surtos em Santa Cruz afetando comunidades menonitas, servem de foco exportador, com 229 casos que se espalham por fronteiras.
No Brasil, o Ministério da Saúde confirma 37 a 38 casos em 2025, distribuídos em sete estados, sem transmissão endêmica sustentada, mas com riscos crescentes de importados. Tocantins lidera com 25 registros em Campos Lindos, epicentro ligado a viajantes da Bolívia; seguem Mato Grosso (seis), Rio de Janeiro (dois), e isolados em São Paulo, Distrito Federal, Maranhão e Rio Grande do Sul. Em janeiro de 2026, São Paulo intensifica campanhas após dois casos importados em 2025, vacinando em metrôs, aeroportos e shoppings.
Fatores impulsionadores da crise
A baixa adesão vacinal, agravada pela pandemia de Covid-19 e desinformação, cria bolsões de suscetibilidade: 71% dos casos afetam não vacinados, e 18% têm status desconhecido. Viagens internacionais reacendem o vírus, com nove casos brasileiros diretamente importados e outros relacionados a variantes estrangeiras. A OPAS destaca que surtos em áreas fronteiriças e comunidades isoladas, como menonitas na Bolívia, facilitam a disseminação. No Brasil, resistências locais em Campos Lindos (TO) amplificaram 22 contágios internos a partir de quatro importados.
Respostas e medidas preventivas
Autoridades respondem com bloqueios rápidos: o Ministério da Saúde distribuiu 13,6 milhões de doses e enviou 660 mil à Bolívia, mantendo o país certificado como livre de circulação endêmica pela OPAS/OMS. Em São Paulo, o “Dia D” em 24 de janeiro de 2026 mobiliza vacinação para turistas e profissionais de fronteira. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) reforça que duas doses da tríplice viral conferem proteção vital, combatendo complicações como pneumonia e encefalite. Globalmente, a OMS alerta para cortes em financiamentos que enfraquecem laboratórios e programas.
Implicações para o Brasil e perspectivas
Embora o Brasil preserve sua certificação, o aumento regional, com projeções de continuidade em 2026 nos EUA e México, exige vigilância redobrada em portos e aeroportos. Especialistas como Isabella Ballalai, da SBIm, veem nos casos esporádicos um “alerta” para renovar esforços, evitando retrocessos como os das Américas. Campanhas integradas com febre amarela em São Paulo exemplificam a estratégia, priorizando crianças de 6 a 11 meses em viagens e adultos desatualizados. Sem 95% de cobertura, o sarampo, com taxa de contágio de 15 pessoas por infectado, pode explodir, sobrecarregando sistemas de saúde e e expondo vulneráveis.
A lição é clara: a vacinação não é opção, mas imperativo coletivo. Países devem combater fake news e ampliar acesso em periferias, garantindo que o progresso sanitário não se dissipe em descuido.
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