O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu autorização para que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visite o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão conhecida como Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília. A decisão, proferida nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, marca o primeiro encontro entre os dois desde a formalização do apoio de Bolsonaro à pré-candidatura presidencial de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.
O despacho de Moraes atende a pedido da defesa de Bolsonaro, protocolado na véspera, e fixa o agendamento para a próxima quinta-feira, 22 de janeiro, no horário das 8h às 10h, respeitando as normas regimentais da unidade prisional. A Papudinha, ou Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, abriga o ex-presidente desde 15 de janeiro, após transferência da Superintendência da Polícia Federal, motivada por uma queda que demandou cuidados médicos permanentes.
Contexto da prisão de Bolsonaro
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de reclusão em regime fechado, condenação imposta pelo STF por liderança em tentativa de golpe de Estado, com base em provas colhidas em investigações sobre os atos de 8 de janeiro de 2023 e tramas golpistas posteriores. Todas as visitas ao ex-presidente, exceto as de advogados, médicos e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, submetem-se à análise prévia de Moraes, relator do processo no Supremo.
Na mesma decisão, o ministro autorizou acessos adicionais, como o de Diego Torres Dourado, irmão de Michelle e ex-assessor de Tarcísio, previsto para 28 de janeiro, e o do pecuarista Bruno Scheid, vice-presidente do PL em Rondônia, agendado para o dia 29. As regras da Papudinha permitem visitas quartas e quintas-feiras, em faixas horárias de duas horas, com no máximo dois visitantes simultâneos, priorizando segurança e organização administrativa.
Relevância política do encontro
O encontro ganha contornos estratégicos em meio ao tabuleiro eleitoral de 2026, ano de disputa presidencial marcada por polarizações acirradas. Tarcísio, filiado ao Republicanos e visto como uma das lideranças mais competitivas da direita, reuniu-se pela última vez com Bolsonaro em setembro de 2025, quando o ex-mandatário ainda cumpria prisão domiciliar por descumprimento de medidas cautelares. Na ocasião, o governador paulista descartou ambições presidenciais imediatas e defendeu anistia ampla aos envolvidos nos episódios de 8 de janeiro.
A autorização ocorre dias após Bolsonaro manifestar, em carta pública, o lançamento de Flávio como herdeiro político na corrida ao Planalto, gesto que gerou desconforto em setores bolsonaristas que enxergavam em Tarcísio uma alternativa viável contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Analistas políticos interpretam a visita como oportunidade para alinhamentos, especialmente após gestos ambíguos do governador paulista sobre suas pretensões eleitorais.
Histórico de visitas e tensões jurídicas
Desde a transferência para a Papudinha, Bolsonaro tem recebido autorizações pontuais para contatos familiares e jurídicos, sempre sob escrutínio rigoroso de Moraes, que equilibra direitos prisionais com restrições impostas pela gravidade da condenação. A unidade, reservada a autoridades e militares, oferece condições diferenciadas, incluindo atendimento médico integral, como determinado pelo STF após o incidente de saúde do ex-presidente.
A decisão reforça o padrão adotado pelo Supremo em casos de alta relevância política: visitas são concedidas com base em critérios objetivos, mas monitoradas para evitar articulações indevidas durante o cumprimento de pena. Juristas consultados destacam que o despacho não altera o mérito da condenação, mas atende ao princípio constitucional de manutenção de vínculos sociais em contexto prisional.
Implicações para o cenário de 2026
No campo conservador, a movimentação sinaliza tentativas de recomposição após a indicação de Flávio Bolsonaro, cujo nome enfrenta resistências internas no PL e em aliados regionais. Tarcísio, por sua vez, consolida-se como articulador pragmático, com foco em gestão estadual bem avaliada e rede de apoio que transcende o bolsonarismo raiz.
Enquanto isso, o governo federal observa o episódio com cautela, em meio a debates sobre anistia e revisão de condenações relacionadas ao 8 de janeiro, temas que prometem dominar o Congresso Nacional nos próximos meses. A visita, portanto, transcende o âmbito pessoal e projeta-se como termômetro das dinâmicas que moldarão a eleição de 2026, em um Brasil ainda dividido por narrativas concorrentes sobre democracia e instituições.
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