Donald Trump reacende polêmica geopolítica no Fórum Econômico Mundial de Davos. Em discurso inflamado nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, o presidente dos Estados Unidos defendeu controle americano sobre a Groenlândia, território autônomo dinamarquês no Ártico, e exigiu negociações imediatas com a Europa, sob ameaça velada de tarifas comerciais. Argumentando que apenas os EUA podem defender a ilha estratégica, Trump pausou sanções aduaneiras após entendimento preliminar com a Otan, mas reiterou soberania yankee como imperativo de segurança nacional.
A declaração irrompe após reunião com Mark Rutte, secretário-geral da Otan. Trump anunciou “estrutura para acordo futuro”, prevendo cessão de pequenas áreas groenlandesas aos EUA para bases militares, conforme fontes do New York Times. A ilha, com 836 mil km² e população de 56 mil inuítes, abriga a base de Thule, vital para radares antimísseis e vigilância ártica contra Rússia e China. Trump invocou a Segunda Guerra: “Sem nós, falariam alemão ou japonês”, acusando a Dinamarca de ingratidão por rejeitar venda proposta em 2019. Recuou de força militar, optando por diálogo, mas postou montagens de IA com bandeiras estrelas e listras sobre a Groenlândia como “território americano de 2026”.
Dinamarca e Groenlândia resistem. O premiê dinamarquês Múte Egede declarou: “Não está à venda”, ecoando o parlamento local que vê na proposta neocolonialismo. Autoridades abriram-se a mais tropas americanas pós-visita a Washington, mas soberania permanece intocável. Na Otan, o pacto discutiu concessões territoriais mínimas, evitando transferência integral, mas Trump vê nisso porta para domínio efetivo. Recursos minerais raros, como terras raras para baterias e eletrônicos, subjazem interesses econômicos, embora negados pelo republicano.
Tensões transatlânticas
Europa reage com apreensão. Líderes em Davos temem erosão da coesão ocidental: Trump criticou Otan por subfinanciamento e Europa por dependência energética russa. Tarifas extras contra Dinamarca e aliados foram suspensas, mas persistem como alavanca. Analistas veem jogada trumpista clássica: pressão máxima por concessões, ampliando influência americana no derretimento ártico, onde rotas marítimas se abrem e recursos emergem. China e Rússia avançam com bases próprias, intensificando disputa.
Histórico contextualiza audácia. EUA ocuparam Groenlândia em 1941 para barrar nazistas, devolvendo controle pós-guerra sem anexação, apesar de bases permanentes. Trump reviveu ideia em 2019, chamando-a “pedaço de gelo indispensável”, provocando crise diplomática. Agora, pós-reeleição, alinha-se a doutrina América Primeiro, priorizando Ártico sobre multilateralismo. Críticos como Nick Bryant, da BBC, notam fim de ilusões europeias de apaziguamento.
Ártico em xeque
Essa investida expõe fraturas globais. Groenlândia, rica em urânio, zinco e terras raras – 25% das reservas mundiais –, atrai potências em transição verde. Controle americano garantiria suprimentos para tech e defesa, mas viola autodeterminação inuíte. Negociações com Europa podem ceder bases ampliadas, mas Trump mira propriedade plena, evocando compras históricas como Louisiana ou Alasca. Dinamarca pondera concessões para evitar tarifas, mas população local rejeita em plebiscitos passados.
O embate trumpiano redefine equilíbrios árticos. De Davos aos icebergs, o “pedaço de gelo” simboliza ambições imperiais modernas: segurança, recursos e supremacia. Europa navega entre resistência e pragmatismo, enquanto Groenlândia clama voz. Trump, fiel ao estilo, força mesa: negociações ou confronto velado, com EUA como fiador relutante da ordem ocidental.
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