Investimentos em ativos físicos brasileiros emergem como refúgio estratégico em meio a um panorama global marcado por instabilidades geopolíticas, volatilidade em moedas fortes e reformas tributárias que encarecem aplicações tradicionais. Imóveis, infraestrutura e commodities, ancorados na solidez tangível e em incentivos fiscais locais, atraem tanto investidores domésticos quanto estrangeiros em busca de proteção patrimonial e retornos previsíveis.
Reformas tributárias favorecem o real
A promulgação da Lei 15.570/2025, que tributa dividendos a partir de 2026 em alíquota de 10% para valores acima de R$ 50 mil mensais, reposiciona o tabuleiro de investimentos no Brasil. Fundos Imobiliários e de Infraestrutura, isentos de IR para pessoas físicas, preservam fluxos líquidos atrativos, enquanto ativos físicos como imóveis urbanos ganham apelo por sua imunidade a essas mudanças e pela valorização consistente em polos turísticos. Especialistas da Rio Bravo Investimentos destacam que essa eficiência fiscal transforma esses veículos em pilares de estratégias de renda recorrente, especialmente em ano eleitoral com Selic projetada acima de dois dígitos.
Infraestrutura como motor de crescimento
Os Fundos de Investimento em Infraestrutura captaram R$ 138 bilhões em debêntures incentivadas em 2024, recorde que sinaliza continuidade em 2026 com mais de 110 leilões previstos para injetar R$ 250 bilhões em setores como energia, transporte e saneamento. Esses ativos físicos, lastreados em concessões de longo prazo, oferecem receitas estáveis e isentas, beneficiando-se de um diferencial de juros elevado que atrai capitais estrangeiros. Gestores do BIDB11 e SNID11 preveem expansão do patrimônio desses fundos de R$ 12,8 bilhões para patamares maiores, impulsionados pela necessidade de modernização em um país continental.
Commodities e o ciclo de proteção
Em cenário de queda projetada para preços globais de commodities, o Brasil se destaca pela robustez de sua pauta exportadora, com recordes de produção em soja, minério de ferro e petróleo. A Vale superou rivais com 336 milhões de toneladas de minério em 2025, enquanto a Petrobras capitaliza tensões no Oriente Médio para elevar receitas, tornando esses ativos físicos em commodities uma reserva de valor contra desvalorizações cambiais. Analistas da StoneX enfatizam que, apesar de pressões de sobreoferta em grãos, o diferencial logístico e a demanda chinesa sustentam atratividade para investidores institucionais.
Imóveis físicos atraem o exterior
Estrangeiros injetiram R$ 283 milhões em imóveis brasileiros em 2024, com foco em Rio e São Paulo, movimento acelerado pelo Golden Visa lançado em 2025, que concede residência por investimentos mínimos de R$ 700 mil no Norte/Nordeste ou R$ 1 milhão em outras regiões. O real desvalorizado torna propriedades costeiras em Florianópolis, Trancoso e Bombinhas acessíveis em dólares ou euros, com potencial de aluguéis via Airbnb e valorização anual acima da inflação. Sem restrições para urbanos e com proteções legais claras, esses ativos físicos servem como hedge contra instabilidades nos EUA e Europa, onde tarifas e recessões pressionam mercados financeiros.
Vantagens em contexto global
| Ativo Físico | Vantagens Fiscais/Retorno | Atratividade Global |
|---|---|---|
| FI-Infra | Isenção IR; fluxo estável | Leilões R$250bi; juros altos |
| Imóveis Urbanos | Sem tributação dividendos; Golden Visa | Estrangeiros R$283mi; real fraco |
| Commodities | Proteção inflação; exportações recorde | Demanda China; produção Vale/Petro |
O quadro acima ilustra como esses ativos superam papéis voláteis em cenários de risco fiscal doméstico e comércio mundial em desaceleração de 0,5%, conforme OMC.
Desafios e perspectivas
Riscos eleitorais em 2026 e volatilidade cambial demandam cautela, mas o apetite estrangeiro por ativos tangíveis brasileiros persiste, com IDP acima de US$70 bilhões nos últimos 12 meses cobrindo déficits externos. Mercados emergentes como o Brasil beneficiam-se de fluxos para proteção, com FIIs registrando liquidez elevada por rebalanceamentos internacionais. Em síntese, ativos físicos configuram não apenas diversificação, mas uma âncora de estabilidade em tempos de incerteza, onde o tangível prevalece sobre o efêmero.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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