A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas anunciou nesta quarta-feira a revisão periódica da cesta de produtos e serviços do Índice de Preços ao Consumidor, incorporando itens contemporâneos como assinaturas de plataformas de streaming e o quilo de açaí, em resposta à evolução dos padrões de consumo das famílias com renda entre 1 e 10 salários mínimos na capital paulista. A atualização, realizada a cada dois anos com base em pesquisas de orçamento familiar, visa capturar com precisão o custo de vida real, ajustando pesos e composições para espelhar a dinâmica econômica urbana.
Entre as novidades, serviços de streaming como Netflix, Disney+ e Spotify ganham relevância no grupo de Despesas Pessoais, substituindo itens obsoletos como locação de fitas VHS e aparelhos de DVD, cuja demanda despencou com a digitalização do entretenimento. O açaí, consumido em formas cremosas ou puras, integra o subgrupo de Alimentação Não Alcoólica, ao lado de produtos regionais como tapioca e castanha de caju, reconhecendo sua ascensão como sobremesa saudável e tendência fitness nas academias e food trucks paulistanos. Outras adições incluem suplementos proteicos no grupo Saúde e aplicativos de delivery no Transporte, ampliando a representatividade de gastos digitais.
A metodologia do IPC-Fipe, calculada quadrissemanalmente desde 1939, abrange sete grupos principais: Alimentação, Habitação, Transporte, Despesas Pessoais, Vestuário, Saúde e Educação, com coleta em supermercados, farmácias, concessionárias e estabelecimentos online. A revisão eleva o peso de Habitação para 32%, refletindo pressões imobiliárias, enquanto Alimentação cai ligeiramente para 22%, sinalizando diversificação dietética. Streaming recebe alocação inicial de 1,2% em Despesas Pessoais, projetando impacto modesto mas crescente na inflação percebida.
Guilherme Moreira, coordenador do índice, explicou que a mudança decorre da Pesquisa de Orçamentos Familiares, que identificou esses itens com participação superior a 0,1% nos gastos médios, garantindo representatividade estatística. “O açaí exemplifica a fusão de tradição amazônica com lifestyle moderno, consumido por 28% das famílias pesquisadas, enquanto streaming reflete a migração para o virtual pós-pandemia”, comentou. A FIPE estima que a cesta revisada capturará variações mais fiéis, como reajustes anuais de plataformas digitais e sazonalidades no preço do açaí, que subiu 9,8% na ‘inflação do verão’ de 2026.
O IPC-Fipe, referência para reajustes salariais na Prefeitura e indexador de contratos municipais, registrou alta de 0,41% na terceira quadrissemana de janeiro, puxada por Transportes (1,64%) e Educação (3,31%), com acumulado anual em 3,25%. Analistas preveem que os novos itens moderem leituras futuras, uma vez que streaming exibe deflação por concorrência, enquanto açaí enfrenta volatilidade climática na produção nortista.
Essa atualização alinha o indicador a realidades contemporâneas, similar à inclusão de apps de mobilidade pelo IBGE no IPCA em 2019. Para consumidores, significa maior precisão no monitoramento do bolso, especialmente em categorias emergentes que consomem fatias crescentes do orçamento familiar. Economistas como Bráulio Borges, da FGV, elogiam a agilidade da FIPE em adaptar a cesta, contrastando com revisões decenais do IBGE, e projetam influência marginal na meta inflacionária de 3%.
A medida reforça o papel do IPC como termômetro local da inflação, influenciando negociações coletivas e políticas públicas em uma metrópole onde hábitos digitais e superfoods redefinem o cotidiano econômico. Com streaming e açaí na mira, o índice ganha frescor para medir o pulso da paulistanice consumidora em 2026.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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