Na ata da 276ª reunião, divulgada nesta terça-feira pelo Banco Central, o Comitê de Política Monetária confirmou a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, mas pavimentou o caminho para o início do ciclo de flexibilização monetária na próxima rodada, marcada para os dias 25 e 26 de março. O colegiado, reunido nos dias 27 e 28 de janeiro, avaliou que a estratégia contracionista atual tem assegurado a convergência da inflação à meta de 3% para 2026, permitindo antever uma redução de 0,5 ponto percentual na taxa básica, que levaria o patamar a 14,5% ao ano.
A sinalização atendeu às expectativas majoritárias do mercado financeiro, conforme o Boletim Focus, que projeta a Selic em 12,25% ao final de 2026, com cortes sucessivos de meio ponto em cada encontro subsequente até alcançar 11,25% no segundo semestre. Economistas interpretam o tom da ata como neutro e prudente, equilibrando a melhora no quadro inflacionário com incertezas externas, como a volatilidade nos mercados americanos e os riscos fiscais domésticos. “O Copom reforça que o ritmo e a magnitude do ciclo dependerão da evolução dos dados e da confiança no processo desinflacionário”, destacou o comunicado oficial.
O cenário macroeconômico que embasa a decisão mostra inflação cheia ao consumidor em trajetória descendente, com medidas subjacentes aproximando-se da meta, e expectativas ancoradas em 3,99% para 2026, 3,80% em 2027 e 3,5% em 2028. O PIB cresceu 2,9% em 2025, impulsionado pelo agronegócio e serviços, mas com desaceleração projetada para 2,1% neste ano, compatível com a política monetária ainda restritiva. No exterior, o arrefecimento das taxas longas nos EUA e sinais incipientes de queda nos núcleos inflacionários globais favorecem o afrouxamento, embora persista cautela ante tensões geopolíticas e eleições americanas.
Analistas como Jayme Carvalho, da SuperRico, elogiaram o comunicado por sua clareza, notando alterações marginais em relação à ata anterior, o que transmite serenidade sem hawkishness excessiva. Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, ponderou que a reancoragem das expectativas inflacionárias segue como entrave para cortes mais agressivos, justificando o ritmo gradual de 0,5 ponto. Gustavo Sung, do Suno Research, previu que a condução conservadora do presidente do BC, Gabriel Galípolo, priorizará a consolidação da desinflação antes de acelerar o relaxamento.
O impacto do sinalizado corte em março deve reverberar no crédito e investimentos. Com a Selic a 14,5%, empréstimos consignados e financiamentos habitacionais tendem a baratear, estimulando o consumo das famílias e o setor imobiliário. No mercado de títulos públicos, a NTN-B, sensível à taxa real, registrou alta de 0,8% na segunda-feira, antecipando o movimento. Contudo, o Copom advertiu que vetores adversos, como rigidez fiscal ou choques de oferta, podem demandar pausas no ciclo, preservando a credibilidade da política monetária.
Para o investidor pessoa física, o corte progressivo até 11,25% reduz o apelo da poupança e CDBs pós-fixados, favorecendo fundos multimercado e ações de setores cíclicos, como varejo e construção. Projeções do mercado, atualizadas no Focus, indicam IPCA de 4,06% em 2026, abaixo do teto da meta, e câmbio estável em R$ 5,60, sustentando a convergência inflacionária.
Críticos do governo, como o deputado Carlos Jordy, veem na sinalização uma vitória da ortodoxia econômica, mas cobram reformas fiscais para viabilizar cortes sustentados. Economistas independentes reforçam que o sucesso do ciclo depende de disciplina nas contas públicas, evitando pressões inflacionárias de longo prazo.
A deliberação do Copom, nesse quadro, delineia um 2026 de transição monetária cautelosa, onde o equilíbrio entre crescimento e estabilidade define os rumos da economia brasileira em meio a ventos globais incertos.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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