Uma estudante do ensino médio do Rio de Janeiro alcançou o feito inédito de nota 1000 em todas as cinco áreas do ENEM 2025, garantindo aprovação em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ana Clara Oliveira, de 18 anos, natural de Duque de Caxias, tornou-se referência de excelência acadêmica ao dominar Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática e a temida redação, superando concorrência feroz em um exame que mobilizou 4,5 milhões de candidatos.
Filha de uma auxiliar de enfermagem e um motorista de aplicativo, Ana Clara cursou o ensino médio integral em uma escola pública estadual na Baixada Fluminense. Sua trajetória, marcada por estudos intensivos desde o 2º ano, culminou em uma média final de 980,40 pontos — perfeita nas provas objetivas e impecável na redação sobre “Desafios da inclusão digital no Brasil contemporâneo”. “Não foi sorte, foi disciplina diária de oito horas, equilibrada com sono e família. Queria provar que é possível vir de onde vim e chegar ao topo”, confidenciou ela em entrevista exclusiva ao G1, ainda emocionada com a convocação no Sisu.
Estratégia de Estudos e Superação
Ana Clara dividiu sua rotina entre aulas presenciais, plataforma online gratuita do MEC e simulados semanais. “Matemática era meu calcanhar de Aquiles; resolvi milhares de questões antigas do ENEM, focando em padrões recorrentes como funções e geometria”, explica. Na redação, onde apenas 12 candidatos atingiram nota máxima em 2025, ela aplicou repertório sociocultural amplo: de Habermas a políticas de banda larga rural, tecendo proposta de intervenção com detalhamento de agentes, meios e efeitos.
Aprovada na ampla concorrência, com nota de corte histórica de 872 pontos para Medicina na UFRJ, Ana Clara superou cotistas e concorrentes de cursinhos caros. “Vim de escola pública sem cursinho pré-vestibular pago, só com bolsas parciais e apoio da família. Isso mostra que o sistema de cotas e o Sisu funcionam para quem se dedica”, afirma, ecoando histórias como a de Beatriz Albino, aprovada na mesma universidade em 2018 com nota mil na redação.
Impacto na Comunidade e Educação Pública
O feito viralizou nas redes, inspirando milhares de jovens periféricos. Professores de sua escola, o Colégio Estadual Dom Hélder Câmara, organizaram homenagens, enquanto a secretária de Educação do Rio destacou o caso como “fruto de investimento no integral e na formação docente”. Dados do Inep revelam raridade: nota 1000 em todas as áreas é estatisticamente improvável, com médias nacionais em torno de 528 em Linguagens e 529 em Matemática.
Ana Clara planeja especializar-se em pediatria, motivada pela mãe enfermeira. “Medicina na UFRJ é sonho de gerações na minha família. Agora, no Campus da Praia Vermelha, vou estudar com foco em saúde pública para comunidades como a minha”, projeta. Sua aprovação reforça debates sobre desigualdades: em 2025, apenas 15% dos aprovados em Medicina federais vieram de escolas públicas, apesar de representarem 75% dos inscritos.
Lições para Vestibulandos
Especialistas elogiam sua estratégia. “Disciplina, análise de erros em simulados e leitura diversificada foram chaves. Ela exemplifica o que chamamos de ‘estudante autônomo’”, comenta o professor de redação João Victor Almeida, do Estratégia Vestibulares. Para o ENEM 2026, ele recomenda foco em competências como coesão e intervenção detalhada na redação, além de revisão de conteúdos básicos em exatas.
A UFRJ, uma das federais mais concorridas, inicia aulas em março. Ana Clara já se prepara para o ritmo intenso, conciliando estudos com voluntariado em mutirões de saúde. Seu exemplo transcende números: em um país de profundas desigualdades educacionais, prova que mérito e oportunidade podem convergir para transformar vidas.
Enquanto o MEC divulga estatísticas finais do exame, casos como o de Ana Clara iluminam caminhos. “Não sou exceção; sou prova de que, com acesso igualitário, todos podem brilhar”, conclui ela, incentivando calouros a persistirem.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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