O Grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, enfrentando uma crise de liquidez estimada em R$ 4 bilhões. A medida visa reorganizar dívidas sem descontos aos credores, preservando mais de 10 mil empregos diretos e indiretos.
Contexto da Crise Financeira
Fundado em 2007, o conglomerado paulista atua em múltiplos setores, incluindo indústria alimentícia, energia, infraestrutura e soluções financeiras. O episódio desencadeador foi a tentativa frustrada de aquisição do Banco Master, em novembro de 2025, quando um consórcio liderado por um de seus sócios anunciou proposta envolvendo investidores árabes. O negócio foi suspenso pelo Banco Central, que decretou a liquidação extrajudicial da instituição de Daniel Vorcaro, envolta em escândalos bilionários.
A repercussão negativa gerou uma onda de especulações e notícias desfavoráveis, que o grupo culpa por uma corrida aos resgates e perda de acesso a crédito. “Desde dezembro, atrasamos pagamentos a investidores, mas não havia histórico de inadimplência antes disso”, informou a empresa em comunicado, destacando que o pedido abrange apenas a Fictor Holding e a Fictor Invest, excluindo subsidiárias operacionais para evitar impactos em contratos e rotinas diárias.
Detalhes do Processo Judicial
No domingo, 1º de fevereiro, o pedido foi apresentado à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, solicitando tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias iniciais. O plano prevê quitação integral dos compromissos, sem deságio, priorizando sócios participantes, que formam a maioria dos credores, com prazos estendidos até cinco anos. A Fictor Alimentos, listada em bolsa, teve ações despencando 33% na abertura dos mercados nesta segunda-feira, refletindo preocupações dos investidores.
O grupo enfatiza medidas preventivas: redução de estrutura física e quadro de funcionários antes do pedido, garantindo indenizações trabalhistas rápidas. “Queremos proteger direitos e agilizar pagamentos, criando ambiente para negociação equânime”, afirma a nota oficial, que ressalta a viabilidade econômica das operações, ancoradas na geração de caixa de subsidiárias como a Fictor Alimentos.
Repercussões no Mercado e Esportes
A crise afeta parcerias notáveis, como o patrocínio ao Palmeiras, estimado em R$ 30 milhões anuais. Fontes indicam negociações para rescisão amigável, enquanto credores questionam desvios de finalidade e confusão patrimonial. O advogado Felipe Gosuen da Silveira, representando uma coletividade de credores, alega “magnitude da insolvência demonstrada por enxurrada de ações judiciais recentes”.
Analistas veem o caso como sintoma de vulnerabilidades no sistema financeiro pós-escândalos bancários. “A RJ é ferramenta para reestruturação, mas o sucesso depende de transparência e plano crível”, observa o economista Marcos Sales, da FGV, destacando que o grupo opera há quase duas décadas sem atrasos prévios.
Estratégia de Recuperação e Perspectivas
O Grupo Fictor aposta em sua diversificação para emergir fortalecido. A Fictor Alimentos, principal caixa do portfólio, mantém operações estáveis, enquanto setores de energia e infraestrutura prometem receitas recorrentes. A holding busca “equilíbrio operacional e pagamento sustentável”, sem interromper atividades que empregam milhares.
A Justiça deve decidir em dias sobre a suspensão de cobranças, abrindo prazo para assembleia de credores. Caso aprovada, a RJ pode durar até dois anos, com possibilidade de prorrogação. O mercado monitora de perto, temendo contágio em um ecossistema ainda abalado pela liquidação do Master.
Lições para o Setor Financeiro
Esse episódio reforça debates sobre due diligence em aquisições bancárias e impactos reputacionais em conglomerados diversificados. Para São Paulo, polo de recuperações judiciais, com mais de 200 processos ativos, o caso Fictor ilustra como crises pontuais podem escalar, mas também como a Lei 11.101/2005 oferece salvação viável a empresas solventes no operacional.
Enquanto aguarda decisão judicial, o grupo reafirma compromisso com credores e stakeholders. Em meio a turbulências econômicas, a recuperação do Fictor pode se tornar case de resiliência ou alerta sobre riscos em expansões ambiciosas.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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