O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, acelera as investigações sobre supostas fraudes bilionárias no Banco Master ao designar depoimentos para os dias 26 e 27 de janeiro de 2026. A decisão concentra oito oitivas em dois dias, autorizando acesso das defesas aos autos sigilosos e rejeitando cronograma mais dilatado proposto pela Polícia Federal. O inquérito apura gestão fraudulenta, temerária e organização criminosa na venda de carteiras de crédito inexistentes ao Banco de Brasília (BRB), com impactos no Sistema Financeiro Nacional.
Detalhes do cronograma de depoimentos
No dia 26, ocorrerão oitivas por videoconferência com o diretor financeiro do BRB, Dário Oswaldo Garcia Júnior, e executivos ligados ao Banco Master e BRB. No dia 27, mesclam-se sessões presenciais no STF e remotas: Robério Cesar Bonfim Mangueira (superintendente de Operações Financeiras do BRB), Luiz Antonio Bull (diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Master), Angelo Antonio Ribeiro da Silva (sócio do Master, por vídeo) e Augusto Ferreira Lima (ex-sócio, presencial). Toffoli justificou a concentração para preservar a estabilidade financeira e o sucesso da apuração, após PF sugerir datas de 23 a 28.
Contexto das investigações em curso
A Operação Compliance Zero, deflagrada em fases desde novembro de 2025, mira o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, por captação agressiva via CDBs com juros elevados, lastreados em ativos duvidosos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A PF apura desvios, fraudes contábeis, manipulação de mercado, lavagem e interferências em reguladores, com quebra de sigilo de 101 alvos e bloqueio de R$ 1,7 bilhão. O Banco Central decretou liquidação extrajudicial do Master, transferindo gestão a liquidante, medida questionada no TCU.[bbc]
Tensões institucionais e polêmicas
Toffoli gerou controvérsias ao determinar custódia no STF de materiais apreendidos na fase de 14 de janeiro, sem exame imediato pela PF, e ao escolher peritos da PGR com acompanhamento policial limitado. Críticas nos bastidores da PF e oposição questionam interferências, com petições à PGR por suspeição do relator. O ministro rejeitou recurso do BC contra acareações, considerando salutar sua participação no esclarecimento. Parlamentares articulam CPMI do INSS para investigar ligações com consignados fraudulentos.
Implicações para o setor financeiro
Os depoimentos precedem perícia em dados apreendidos, potencialmente definindo indiciamentos e rumos judiciais. O caso expõe vulnerabilidades em garantias do FGC e regulação bancária, com BRB negando insuficiência de capital apesar de transações questionadas. Toffoli enfatiza proteção ao sistema financeiro e usuários, em meio a embates entre STF, PF, BC e Congresso.
Perspectivas e próximos passos
As oitivas, com acesso prévio a depoimentos como o de Vorcaro em dezembro de 2025, prometem esclarecimentos cruciais sobre tratativas entre Master e BRB. Defesas aguardam confrontos para rebater narrativas da PF, enquanto oposição pressiona por transparência. O desfecho pode redefinir accountability em instituições financeiras, evitando prejuízos bilionários a investidores e reforçando supervisão regulatória. O STF, como foro, centraliza o caso, mas atrai escrutínio por métodos adotados.
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