Em meio a uma sequência de temporais que redesenham o mapa de riscos do país neste início de ano, a Defesa Civil Nacional reforçou o alerta para as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, que devem enfrentar, nos próximos dias, chuva volumosa, rajadas de vento e descargas elétricas. De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), há risco concreto de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra, sobretudo em áreas urbanas adensadas e encostas ocupadas precariamente. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu avisos de grande perigo para trechos de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Goiás, com acumulados que podem superar 100 milímetros de chuva em apenas 24 horas.
Cenário climático e áreas sob maior risco
Os meteorologistas apontam a atuação conjunta de uma frente fria, da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e de instabilidades tropicais como principal engrenagem desse quadro de tempo severo que se estende por boa parte da faixa central do Brasil. No Sudeste, a atenção maior recai sobre a Zona da Mata e o Vale do Rio Doce em Minas Gerais, o Espírito Santo e o norte e noroeste fluminense, regiões que já acumulam volumes expressivos de chuva e podem registrar entre 200 e 400 milímetros em cinco dias, equivalentes à média de todo o mês de janeiro. No Centro-Oeste, áreas do sul, centro e noroeste de Goiás entram em aviso vermelho, com potencial para enxurradas em pequenos cursos d’água e transbordamentos repentinos. No Nordeste, a combinação entre calor, umidade elevada e influência da Zona de Convergência Intertropical intensifica pancadas fortes em trechos do litoral e do interior, ampliando a chance de alagamentos pontuais.
Ações de preparação e coordenação entre órgãos
Diante do cenário, o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), vinculado à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, convocou reunião de alinhamento com coordenadorias estaduais e municipais para detalhar cenários, atualizar previsões e harmonizar planos de contingência. A orientação é reforçar a limpeza preventiva de bocas de lobo, o monitoramento de taludes e encostas e a checagem de rotas de fuga para comunidades em áreas de alto risco geológico ou hidrológico. O Cenad também mantém plantão permanente com o Cemaden, responsável pela previsão de riscos geo-hidrológicos, que classifica como alta a probabilidade de alagamentos e extravasamento de canais em cidades de Minas e Espírito Santo, e muito alta a chance de movimentos de massa em áreas de Vitória e de outras regiões montanhosas do Sudeste.
Orientações diretas à população
A Defesa Civil Nacional reforça que a primeira medida de autoproteção é levar a sério os alertas oficiais, disponíveis pelo serviço “Defesa Civil Alerta”, que envia mensagens de texto gratuitas para celulares cadastrados. Técnicos recomendam evitar travessias em ruas alagadas, não se abrigar sob árvores durante tempestades e desligar aparelhos elétricos e o quadro de energia em caso de raios intensos ou água invadindo a parte interna das residências. Em áreas de encosta, qualquer sinal de trincas nas paredes, portas emperrando, solo encharcado escorrendo ou estalos no terreno deve ser encarado como gatilho para saída imediata, com deslocamento a abrigos públicos ou casas de familiares em locais seguros. No litoral e em margens de rios, o alerta se estende a pescadores, banhistas e moradores ribeirinhos, que devem observar a elevação repentina dos níveis d’água e seguir orientações municipais de evacuação quando houver.
Impactos esperados e desafios urbanos
Em grandes centros do Sudeste, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e capitais do interior, o acúmulo de água sobre infraestrutura já sobrecarregada tende a agravar problemas crônicos de drenagem, com reflexos imediatos no trânsito, na prestação de serviços e no abastecimento de energia. Bairros periféricos, muitas vezes erguidos à margem de córregos canalizados ou em morros com baixa contenção, ficam mais vulneráveis a deslizamentos e desabamentos, o que exige atuação rápida de equipes municipais para remoção preventiva de famílias em risco. Em cidades menores do Centro-Oeste e Nordeste, a preocupação está no extravasamento de rios de pequeno porte e em enxurradas que, embora rápidas, têm grande poder destrutivo sobre pontes, estradas vicinais e lavouras. Especialistas lembram que o aumento da frequência de eventos extremos dialoga com o aquecimento global e com a expansão urbana desordenada, impondo ao poder público o desafio de conciliar respostas emergenciais com políticas estruturantes de adaptação climática.
Vigilância contínua e perspectiva para os próximos dias
O Inmet projeta que, pelo menos até o fim da semana, os alertas de chuva intensa permanecerão ativos em 23 estados e no Distrito Federal, com tendência de deslocamento gradual das áreas de maior perigo, mas sem trégua completa no regime de precipitação. A recomendação é que a população acompanhe boletins atualizados em canais oficiais e evite propagar boatos ou mapas fora de contexto que possam gerar pânico desnecessário. Para a Defesa Civil, a efetividade do sistema de alerta passa pela participação ativa dos moradores, que devem comunicar ocorrências às centralidades municipais e apoiar vizinhos em situação de maior vulnerabilidade. Em um país marcado por desigualdades urbanas, cada chuva extrema funciona como teste de resiliência coletiva, em que informação de qualidade e ação rápida podem ser decisivas para salvar vidas.
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