Andy Jassy, diretor executivo da Amazon, reconheceu que as tarifas protecionistas impostas pelo presidente Donald Trump já infiltram os preços de produtos na maior plataforma de comércio eletrônico do mundo, pressionando o consumidor norte-americano. Em entrevista à CNBC durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, no dia 20 de janeiro de 2026, Jassy explicou que vendedores terceirizados, maioria das transações no site, começam a repassar custos extras aos compradores, após esgotarem estoques comprados antecipadamente em 2025. A declaração sinaliza os primeiros efeitos concretos da política comercial agressiva de Trump, que visa reequilibrar o comércio exterior dos Estados Unidos.[
Estratégias iniciais e esgotamento de estoques
Em 2025, a Amazon e seus parceiros acumularam suprimentos para amortecer o impacto das tarifas sobre importações chinesas, que subiram para patamares elevados como 125% em certos produtos, somadas a taxas retaliaatórias. Essa manobra permitiu manter preços estáveis por meses, mas com a venda desse estoque no outono hemisférico norte, os custos voltam à superfície na cadeia de suprimentos. Jassy destacou três respostas comuns entre vendedores: repasse integral aos clientes, absorção para preservar volume de vendas ou divisão intermediária dos encargos, o que já se reflete em itens específicos como eletrônicos e bens de consumo importados.
Contexto das tarifas e guerra comercial
Desde fevereiro de 2025, Trump escalou as tarifas sobre a China, principal fornecedora da Amazon, elevando alíquotas para combater déficits comerciais e proteger manufatura local, com medidas que chegam a 145% em setores sensíveis. A retaliação chinesa, com taxas de até 84% sobre produtos americanos, complica cadeias globais, forçando empresas a recalcular margens em um ambiente de inflação persistente. No Fórum de Davos, Jassy contrastou com declarações anteriores, quando negava aumentos significativos, admitindo agora que “você começa a ver as tarifas se infiltrando em alguns preços”.
Impactos no varejo e no comportamento do consumidor
A Amazon, que depende de vendedores terceiros para 60% de suas vendas, absorve parte dos custos via negociações com fornecedores, mas reconhece limites: “Fazemos tudo para manter os preços baixos, mas em muitos casos os aumentos serão inevitáveis”. Analistas preveem que compradores americanos migrem para marcas nacionais mais baratas ou adiem aquisições não essenciais, efeito já notado em pesquisas de sentimento do varejo online. Gigantes como Coca-Cola, com produção local, declaram-se imunes, mas varejistas dependentes de importações enfrentam dilemas semelhantes.
Estratégias da Amazon para mitigar efeitos
A companhia diversifica fontes, investe em manufatura doméstica e usa inteligência artificial para otimizar logística, reduzindo exposição a tarifas. Jassy mencionou diálogos com o governo Trump sobre preocupações setoriais, sem detalhes, e enfatizou compras estratégicas futuras para suavizar choques. No longo prazo, a Amazon acelera expansão de data centers e serviços de nuvem, menos afetados por disputas comerciais.
Implicações globais e perspectivas econômicas
Os reajustes na Amazon ecoam em cadeias mundiais, com reflexos no Brasil via exportações e dólar volátil, embora o impacto direto no e-commerce local seja moderado por compras transfronteiriças menores. Economistas alertam que tarifas prolongadas alimentam inflação nos EUA, podendo frear o crescimento do consumo em 2026, ano de eleições legislativas. Para Trump, as medidas reforçam a narrativa protecionista, mas testes como o da Amazon questionam sua sustentabilidade. Consumidores globais, atentos a promoções, ajustam hábitos, priorizando pechinchas em meio à incerteza. O episódio ilustra como políticas soberanas reverberam no cotidiano digital, onde o clique impulsivo encontra barreiras tarifárias inesperadas.
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