O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu convite oficial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para compor o chamado Conselho de Paz destinado à reconstrução da Faixa de Gaza, em iniciativa que marca a segunda fase do plano americano para o conflito no Oriente Médio. A proposta, anunciada por Trump em suas redes sociais como o maior e mais prestigiado fórum já reunido, abrange temas como governança, relações regionais, investimentos e mobilização de capital para o enclave palestino devastado pela guerra.
A carta-convite chegou ao Planalto via embaixada americana em Washington na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, e foi confirmada por fontes diplomáticas da HostingPress. Lula ainda não respondeu formalmente, optando por análise cautelosa que envolve avaliação de objetivos, composição do grupo, custos envolvidos e alinhamento com a política externa brasileira.
Origem e estrutura do conselho
O Conselho de Paz surge como pilar da Fase Dois do plano de 20 pontos coordenado pelo enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, após o cessar-fogo iniciado em outubro de 2025. Presidido pelo próprio Trump, o órgão incluirá líderes como o presidente argentino Javier Milei, o turco Recep Tayyip Erdogan, o egípcio Abdel Fatah al-Sisi e o primeiro-ministro canadense Mark Carney, além de figuras como o ex-premier britânico Tony Blair e o secretário de Estado americano Marco Rubio.
Entre os empresários e assessores, destacam-se Marc Rowan, bilionário americano, e Robert Gabriel, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA. A Casa Branca enfatiza que o conselho supervisionará a desmilitarização do Hamas, com advertências explícitas de Trump para cumprimento integral das obrigações, sob pena de consequências severas. Paralelamente, o major-general Jasper Jeffers comandará a Força Internacional de Estabilização para segurança e treinamento de nova polícia local.
Reação do Planalto e dilema diplomático
O governo brasileiro reage com reserva, priorizando discussões internas lideradas pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, com quem Lula se reuniu no Palácio do Planalto nesta segunda-feira, 19 de janeiro. Decisão deve sair ao longo da semana, ponderando o potencial de mediação do Brasil em um fórum de alto nível contra os riscos de endosso implícito a uma agenda vista como pró-Israel.
Desde outubro de 2023, Lula adota postura crítica às ofensivas israelenses em Gaza, qualificando-as de genocídio em fóruns como a ONU e defendendo Estado palestino soberano e cessar-fogo imediato. Aceitar o convite colocaria o petista em mesa presidida por Trump, aliado histórico de Israel, ao lado de Milei, que já manifestou honra em participar.
Convidados e divergências ideológicas
Milei, presidente da Argentina, foi o primeiro a confirmar adesão, publicando a carta nas redes e exaltando a iniciativa. Erdogan, da Turquia, figura entre os convidados apesar de críticas passadas a Trump, sinalizando busca por equilíbrio regional. Outros nomes como o paraguaio Santiago Peña e o egípcio al-Sisi reforçam o caráter eclético do grupo, unindo direita conservadora, autocratas e moderados.
O convite a Lula surpreende pelo contraste ideológico: Trump, reeleito em 2024 com plataforma anti-globalista, estende mão a um líder de esquerda latino-americano conhecido por advocacy pró-Palestina. Analistas veem nisso estratégia para legitimar o plano americano, ampliando apoio no Sul Global e na América Latina.
Implicações para o Brasil e o conflito
Participação brasileira poderia elevar o protagonismo do país em negociações globais, alinhando-se à tradição de mediação lulista em crises como a Ucrânia. Contudo, recusa ou demora alimentaria narrativas de isolamento diplomático, especialmente após atritos com Washington em temas comerciais e ambientais.
No cerne, o conselho reflete a visão trumpista de solução pragmática: reconstrução condicionada à erradicação do Hamas, com investimentos privados e governança transitória sob tutela internacional. Para Lula, o cálculo envolve não apenas Gaza, mas projeção do Brasil como ponte entre blocos geopolíticos em 2026, ano de tensões crescentes no Oriente Médio e eleições nos EUA.
O episódio ilustra as complexidades da diplomacia contemporânea, onde convites presidenciais transcendem afinidades partidárias e testam a autonomia soberana em meio a crises humanitárias urgentes.
HostingPRESS – Agência de Notícias de São Paulo. Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo. Reprodução autorizada mediante crédito da fonte.

